metodologia de composição.

 


Eu trabalho em sessões, ou tempo para abrir o arquivo, compor, e fechar o arquivo.

A composição do ciclo começou pelas clariceanas n. 2.  entre 23 e 28 de abril de 2020.  Antes, houve a fase de ler e retranscrever a entrevista de clarice em 1977. Foi essa entrevista que deu o impulso para todo o projeto.

O deslocamento da primeira clariceana composta para segunda posição do ciclo se deve à sua densidade. Precisa de uma peça para abertura, como um prelúdio. Daí a opção de ter de compor outra para funcionar como início. E isso nasceu o ciclo. A ideia inicial era encenar a entrevista de Clarice, com a insersão de trechos instrumental. Depois isso foi se modificando.

O uso de sessões de composição é uma maneira de projetar na composição algo como uma improvisação: jogar os elementos que depois serão retomados na sessão seguinte. Para a claricenas 2 foram necessárias 3 sessões. A segunda retoma e amplia materiais da primeira e projeta um acabamento. Na sessão final, tudo é revista, com ênfase nos detalhes de escrita das dinâmicas.

A que ficou como Clariceanas 1 foi composta quando a Clariceanas 2 estava indo pra sua conclusão. A parte final de clariceanas ficou suspensa, como um fim, até que um segundo fim, em bases cordais foi depois inserido no fechamento do arquivo em 7 de maio.

O mês de maio de 2025 foi intenso. todas as 4 outras clariceanas foram compostas.

Além da composição, foi preciso ao mesmo tempo decidir a extensão do ciclo e a justificativa de cada uma das peças.

O caminho foi de leituras intensas paralelas à composição musical. Era preciso achar o texto ou situação impulsionadora de cada peça.

Pensei logo em peças independentes, quanto a material melódico, forma, caráter, etc.

A coesão deveria vir de recorrência de alguns processos, entre eles fragmentação melódica, harmonias fora de harmonia funcional, muito influenciado pelo curso Contemporary Techniques in Music Composition 1 que fiz pela Berklee em 2018, para trabalhar com as composições orquestrais de Kandinsky. Durante o curso vários assignments foram para piano, seja solo,seja em trocas com outros instrumentos.
Essa era primeira ver, em Clariceanas, que me dediquei a escrever para piano solo.
E esse era meu desafio: vindo de escrever para orquestra, como pensar um instrumento como orquestra, o piano mais como uma máquina de sons e timbres que acompanhante de outro instrumento. 
Meu guia foi de estudar em paralelo aos textos de e sobre Clarice algumas partituras de piano, relacionados ao estilo da peça.
Por exemplo, na que agora é a Clariceanas 1, mas que foi a primeira a ser composta, quis explorar essa orquestração do piano por meio de sua espacialização em três pentagramas, no lugar de dois. Eu nunca havia feito isso. entao fui ver quem fez, como Lizt.  Além dos pentagrams, fiquei interessado na escrita mesma para piano. As partituras que estudei no início do processo de Claricenas foram:








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