Eu trabalho em sessões, ou tempo para abrir o arquivo, compor, e fechar o arquivo. A composição do ciclo começou pelas clariceanas n. 2. entre 23 e 28 de abril de 2020. Antes, houve a fase de ler e retranscrever a entrevista de clarice em 1977. Foi essa entrevista que deu o impulso para todo o projeto. O deslocamento da primeira clariceana composta para segunda posição do ciclo se deve à sua densidade. Precisa de uma peça para abertura, como um prelúdio. Daí a opção de ter de compor outra para funcionar como início. E isso nasceu o ciclo. A ideia inicial era encenar a entrevista de Clarice, com a insersão de trechos instrumental. Depois isso foi se modificando. O uso de sessões de composição é uma maneira de projetar na composição algo como uma improvisação: jogar os elementos que depois serão retomados na sessão seguinte. Para a claricenas 2 foram necessárias 3 sessões. A segunda retoma e amplia materiais da primeira e projeta um acabamento. Na sessão final, tudo é r...
Texto da comunicação Suíte Clarice(a)nas : Notas de um processo Criativo Antipandêmico Clariceanas: Notes for an Antipandemic Creative Process Marcus Mota Universidade de Brasília-Brasil Comunicação Durante o ano mês de março de 2020, dentro de atividades de investigação pós-doutoral (CESEM-Nova) e diante de preparativos de evento para o centenário da Clarice Lispector (1920-1977), estive envolvido em processo criativo que resultou na elaboração de um ciclo composto por seis peças para piano a partir de imagens e textos relacionados à vida e obra da escritora brasileira. Tomando como ponto de partida a análise e transcrição de seu vídeo-testamento - uma entrevista de 1977 apenas liberada para veiculação após a morte de Clarice Lispector - este processo criativo se intensificou em virtude do início da medidas de restrição declaradas pelo primeiro ministro António Costa partir de 16 de março. Assim, a obra...
Foi fundamental a leitura do roteiro e a discussão das possibilidades das cenas. Uma coisa que foi observada foi a questão da não sincronia entre som e imagem. As cenas no roteiro estão agrupadas no seguinte movimento: Depois do prólogo a- Performance da pianista com projeção da partitura animada (foco no som) b- Narrador e imagens de vídeo (foco no que se vê) c- Reperformance do pianista sem projeção da partitura (foco no som) No lugar dessa estrutura rígidas em blocos, pensamos no seguinte: Começa a performance da pianista (A). Durante a performance são inseridas imagens do vídeo (B), mas sem palavra do narrador. Após o fim da música, entra o narrador, ainda com as imagens do vídeo, que vão acabar antes da fala. O texto não é longo. Depois retorna a pianista (A), mas sem vídeo algum, mas com algum adereço ligado ao tema da canção. Uma possibilidade é o início do vídeo sair de algum efeito sobre a partitura projetada, no lugar de haver uma sincronia entre a partitura e a performe...
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